quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Florence- A ilusão que nos torna ridículos...

 Assisti esse filme, sem grande convicção, mais por ter a Meryl Streep e o Hugh Grant.Achava que seria uma comédia leve, que provavelmente me distrairia enquanto fazia os meus exercícios físicos e nem iria até o fim.



O filme rendeu-me boas gargalhadas, sobretudo pela actuação do pianista Cosmé McMoon (Simon Helberg), que fazia um ar tão surpreendido com  a maneira de cantar de Florence ( Meryl Streep), que para mim, foi delicioso.

Segundo entendi, a cantora existiu na vida real, e era conhecida como Florence Foster Jenkinsse, mas seu nome era Narcissa Florence Foster (coincidência com uma Narcisa brasileira).

Eu geralmente espero de uma comédia, uma boa actuação e doses de risada, mas essa foi sobretudo muito terna. St. Clair Bayfield (Hugh Grant) , que foi o seu marido, muito embora tenha aproveitado da situação financeira que ela lhe proporcionava, tenta durante todo o tempo protegê-la dela mesma, da sua falta de bom-senso, da sua ausência de limites, com muito carinho, com muito amor.

Esse filme fez-me pensar em muitas coisas, em como as pessoas riem mais, admiram muito mais, concedem muito mais àqueles que têm dinheiro. Fica claro no filme, que por mais patético que seja, o dinheiro encanta!

Que nem sempre pode-se ser tudo, ela não conseguia ser cantora, apesar de saber muito de música e ter meios para adquirir conhecimento, não dá, nem todo o mundo pode ser tudo e a ilusão nos coloca em lugares ridículos.

Mas é um filme sobre o amor, amor à música e o amor sincero que sentiam por ela, com a ternura e compaixão. Sem dúvida vale a pena assistir. Dei boas gargalhadas.




quinta-feira, 7 de setembro de 2023

A Exagerada, A Exata, A Morte e A Piada

 

A Exagerada, A Exata, A Morte e A Piada

- Bom dia Ana, tem tido notícias do Sr. Anibal?.  O Sr. Aníbal era um vizinho em comum de Ana e de Célia, e já tinha 94 anos, há algumas semanas tinha sido internado e estava entre a vida e a morte.

- Bom dia Célia, respondeu Ana. Ele vai lá do jeitinho que é normal nessa idade, não dá para esperar muito mais, não é?

- Pois, ele tem tido uma vida bastante longa, completa, o duro é para quem fica, mas a única certeza da vida é a morte, e a família, mesmo sofrendo, vai poder descansar um pouco dessa agonia, né?- respondeu Célia, com aquelas conclusões óbvias e já muito usadas, mas que inevitavelmente utilizamos, vezes sem conta.

- É verdade, a morte faz parte da vida!-disse Ana, utilizando ela também a frase bengala, que não sendo original, arremata o assunto.

- Então bom dia e esperemos que não chova, porque já não aguento mais a porra dessa chuva, que me fode a vida, já não tenho mais criatividade para arrumar lugares para estender a roupa! Agora sim, Célia foi mais fiel a si mesma, uma vez que o palavrão fazia parte do seu vocabulário, assim como os artigos, verbos, substantivos…

-Bom dia pra você também, deixa eu ir que o Arnaldo já deve estar a sair, vou ver se ele precisa de alguma coisa- respondeu Ana, com um risinho conformado, a fingir que já estava acostumada com os impropérios da vizinha, mas que na verdade quase sempre a obrigava forçar um ar de normalidade e evitar arregalar os olhos, exercício quase diário já há três anos, desde que Célia havia mudado para a casa ao lado da sua, trazendo com ela toda uma forma exagerada de viver.

Sim, exagerada, talvez a melhor definição para a personalidade de Célia. Aquele ser que tem muita presença, fala muito alto, gesticula sem parar, ri estridente e de maneira debochada. Tem opinião sobre todos os assuntos, muitas certezas, muitas vezes incoerentes, mas a coerência não é algo que a preocupa, quer é falar, quer estar. Em meio a essas características, os palavrões são meros detalhes no seu discurso. Como um carro alegórico que vem com brilho, cor, música, milhões de detalhes, que observamos e dependendo do nosso humor, gostamos ou odiamos.

- Nunca imaginei que pudesse me dar tão bem com uma vizinha assim…- pensou Ana  enquanto abaixava para pegar a “Folha de São Paulo”, que o jornaleiro deixava no chão da sua garagem, para levar ao seu querido Arnaldo, que estaria a terminar o café-da-manhã, quase a ponto de ir para o consultório.

Ana era toda uma senhora. Fez o magistério, como fizeram todas as suas amigas, ingressou na rede de ensino público e leccionou para a quarta classe durante quase toda a sua carreira. Foi o tipo da professora que marcou toda uma geração. Dedicada, delicada, perfumada, arrumada. Nem pouco, nem muito, sempre foi exata.

Exata, sim essa é a melhor palavra para explicar a professora Ana, bem como a esposa Ana, amiga, companheira, que nunca (pelo menos em público) contrariara o marido, que o olha com admiração, que valida todas as suas opiniões, que o apoia em tudo, sem ter um ar de subordinada, mas sim uma eterna namorada apaixonada.  

A exactidão apenas abandonou Ana no quesito mãe, aliás não abandonou, transbordou tornando-se grande, grandiosa, extrema , seria mais justo dizer. Extremamente cuidadosa, pacificadora, presente, carinhosa. Extrema e impecável com os seus frutos, três adultos já formados. Dois jovens médicos e Anita, uma dentista que apesar de ter começado há dois anos a dar consultas já tinha a agenda cheia, uma vez que tinha aprendido com a mãe a ser dedicada, delicada, perfumada e arrumada.

Naquele mesmo dia, ao fim da tarde, Célia estaciona o seu carro e repara numa agitação bastante fora da normalidade na casa da Ana, mas nem pensou sobre o assunto. Enquanto tirava as compras do carro, a sua empregada, Sueli, passou por ela com os olhos marejados, mas com uma grande pressa para apanhar o ônibus que já dobrava a esquina, e disse:

- Já viu D. Célia, o Sr. Arnaldo morreu, que coisa horrível!- mas por muito triste que se sentisse, o ônibus não iria esperar a tristeza da Sueli, nem a creche que cuidava do seu filho, e é assim, a vida não para (narrador também se apoia em frase bengala), lá foi a Sueli chorosa.

Célia fez um ar triste, encolheu os ombros, achou estranho o estado emocional da empregada, mas pensou para si mesma:

- Pobre adora um drama, afinal o Sr. Anibal, já estava velho para caralho, queria o quê? Que ficasse para semente?

Um leitor atento já deve ter entendido a confusão na cabeça de Célia que continuou a pensar:

- Que merda esse velho morrer bem hoje, que estou que é só o farelo… Vou ter que ir para porra do velório! Bem hoje que eu queria era deitar na cama e assistir a minha novela.

Um pouco mais tarde o marido de Célia entrou em casa, com um ar abatido, e perguntou se ela já sabia do que havia acontecido, enquanto ela estava no banho. Ela respondeu que sim e completou com a frase:

- Foda-se, vamos ter que lá dar um pulo, justo hoje que estou tão cansada.

O marido já estava habituado com as reacções malucas de Célia, e embora tenha estranhado a frieza da mulher, resolveu nem discutir.

Rumaram para o velório da cidade, vale a pena salientar, uma cidade pequena, onde quase todos se conhecem.

Célia, contrariada, ia reclamando no carro, sobre o “programinha” inesperado que havia surgido e fazendo comentários aleatórios do estilo:

- Vá por aquela rua, que é mais fácil estacionar por ali.

O marido sentia-se cansado e estava triste pensando:

- Tão típico da Célia, ao invés de mostrar tristeza mostra zanga, deve ser a maneira dela de digerir uma notícia tão cruel como a morte repentina do Arnaldo, imagine, ter um ataque cardíaco fulminante, no seu consultório, parece irónico. Justo agora que os filhos estavam crescidos, formados e as preocupações normais da vida iam diminuindo, que injustiça!

 A morte de Arnaldo fazia com que ele pensasse na própria vida, afinal tinham quase a mesma idade. O marido reflectia se estava vivendo plenamente, se estaria pronto para deixar a vida, coisas que pensamos sempre quando alguém da nossa idade morre. Mas efectivamente, no outro dia, vamos trabalhar e ignoramos toda a filosofia e os ensinamentos, as contas não pagam-se sozinhas, e a vida continua.

Chegaram no Velório Municipal, Célia foi andando na frente, tinha pouca paciência para “a moleza” do marido. Sempre achou que ele pensava muito e agia pouco, sempre o achou sentimental demais, muito dramático. Queria despachar o assunto, cumprimentar, dar as condolências e encerrar o assunto.

Estranhou tanta gente no funeral do pobre Sr. Aníbal, pensou consigo mesma:

- Essa gente não tem nenhuma coisa melhor para fazer, todos aqui? Caralho, parece que não estavam a espera que o velho morresse!

Avistou os filhos de Ana, claramente muito abatidos, cumprimentando todas as pessoas, muito envolvidos com o acontecimento, estranhou.

Avistou Ana, e sem reflectir, piscou-lhe o olho, abraçou-a com carinho, e comentou:

- Ainda falamos dele hoje de manhã, não é Ana?

Ana, também habituada com as reacções de Célia, não estranhou. Aceitou o abraço e ouviu a frase da vizinha:

- Nossa Ana, nunca imaginei que os seus filhos fossem tão apegados ao Sr. Aníbal! Estão tão chorosos, coitadinhos.

Nesse momento, apesar de toda a confusão, Ana, a exacta, conseguiu não sei como, compreender exactamente o que estava a acontecer, Célia estava a confundir Aníbal com Arnaldo, e por muito que possa parecer absurdo, as vezes a nossa mente prega essas peças. Estamos tão preparados para um acontecimento, que não conseguimos enxergar outro.

 Célia, com a calma que lhe era apanágio, segurou na mão de Ana, e disse com calma:

- Célia, acho que você está a fazer uma grande confusão, quem morreu foi o meu Arnaldo, teve um ataque cardíaco fulminante, tadinho, foi sem sofrer, mas sem tempo para um adeus, o Sr. Aníbal continua vivo, coisas da vida… (ou da morte). E abraçou a amiga, com toda a compaixão…

Imagino que a informação tenha sido uma pequena explosão na consciência de Célia, primeiro entender o engano, depois realizar que o amigo havia morrido inesperadamente, finalmente ter em conta todo o seu comportamento, Bum, Bum, Bum, confusão, tristeza, vergonha!

Olhou para o caixão e lá viu o amigo Arnaldo, imóvel, com os olhos fechados (óbvio).

Saiu da sua boca um som gutural:

- Puta que o pariu! O Arnaldo morreu! Como é que foi isso minha gente? Como isso pode acontecer? Braços ao ar, olhar tresloucado, andando as voltas do caixão.

O marido de Célia ficou pasmado, diferente de Ana, demorou para entender o que havia acontecido, tentou tranquilizar a esposa, que causava um embaraço gigante em meio aos que velavam o Sr.Arnaldo. Tentou abraçá-la e pedir baixinho que parasse com o escândalo, mas ela desembaraçava-se dos braços do marido e gritava ainda mais.

Ana, sem forças para conter a vizinha e sabendo que qualquer gesto seu iria deixar Célia ainda mais reactiva, ficou a assistir ao espectáculo calmamente, e, naquele momento até teve vontade de rir da situação. Rapidamente os seus filhos vieram perguntar o que estava acontecendo, Ana explicou. Os filhos, que tinha herdado a calma e generosidade da mãe, simplesmente se entreolharam com alguma vontade de rir, e ficaram lado a lado, esperando também pacificamente, a histeria de Célia acabar, resignados.

Desnecessário dizer que muitos que assistiram a cena, sem conseguir perceber o ocorrido, pensaram que afinal a Célia era amante de Arnaldo, e sendo aquele “carro alegórico” não havia poupado nada e nem ninguém da sua dor, nem o próprio marido, que como sabemos, é o último a saber. Nesse caso, foi mesmo.

Até hoje essa história é contada na cidade, desse velório tão triste que teve um grande momento de piada e, desde então cada vez que alguém é velado, reconta-se a história, misturando as lágrimas de tristeza com algumas de riso, porque a vida continua, com todas as suas cores.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Whatsapp e o Romeu

Desde que vivo em Portugal, tentava ir ano sim, ano não para o Brasil.

A última vez que tinha ido foi em 2018, na altura pensava que voltaria em 2020 e veio a pandemia, depois as passagens subiram de preço de maneira incomportável, e quando nos demos conta, já lá tinha passado 5 anos.

Uma loucura, não é? Cinco anos é o tempo de um curso universitário, é como se a vida da gente mudasse tanto, cinco anos. Se eu fosse jovem, isso teria sido considerado uma eternidade, mas com a idade, isso do tempo é relativo, pois vamos ficando mais velhos, somando anos, e um, dois anos é pouco em relação a tudo aquilo que a gente já viveu.

Perguntam como eu consegui ficar longe e eu acho que tenho a resposta: whatsapp. Caramba, desde que temos essa ferramenta o mundo ficou pertinho.Se eu quiser nesse momento, passo o dedo na tela do meu telemóvel e já consigo ver a minha mãe, incrível.


Essa evolução tecnológica nos colocou mais perto em muitos sentidos, e há aqueles que consideram que as tecnologias afastaram as pessoas, mas nesse caso, aproximou e ajudou muito.

Nesses cinco anos, a maior novidade, o acontecimento mais marcante foi o nascimento do Romeu, o pequenino da família, possivelmente o último neto, o último sobrinho de 1º grau.

Mas, lá está, com o whatsapp e o grupo da família, eu recebi com emoção a notícia da gravidez, na hora em que a minha cunhada foi para o hospital, todos nos comunicamos no grupo, o momento foi acompanhado " a par e passo" , bem como o seu crescimento.

Quando cheguei no Brasil, depois de 5 anos, não estranhei ninguém, fomos nos acompanhando no envelhecimento, nas mudanças físicas, e o Romeu, parecia que eu tinha estado com ele sempre. A imagem dele sempre ficou e cresceu na minha memória e no meu coração. Eu o sabia decor, mas ele me surpreendeu em alguns detalhes:

- ele cheira tão gostoso, a criança mais cheirosa do planeta, segundo ele, é o sabonete Phebo, mas desconfio, acho que é dele mesmo;

- não é porque é meu, mas ele é super inteligente, vivo, pesca tudo em um segundo, esperto até demais para o meu gosto;

- ele é um pestinha, mesmo doidinho da cabeça, quase perigoso de tão malandro.

Já sinto saudades de todos, dele mais ainda, mas... faz parte, a minha vida para já é aqui, e tento não aprofundar nisso, pois não tem solução. Me consolo com o whatsapp e com a certeza absoluta que o amor que a gente sente independe da geografia, ele sempre vai nos conectar!

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Pão de Azeitonas com vídeo

 




 

 

Ingredientes:

4 xícaras de farinha de trigo;
1 xícara de água morna;
1 colher de sopa de açúcar;
10g de fermento biollógico em pó;
1 xícara de azeite;
150 g de azeitona preta picada;
150 g de azeitona verde;
2 colheres sopa de orégano;
1 gema para pincelar

Modo de fazer:

 Coloque numa tigela o fermento com a água morna até dissolver
completamente. Junte o açúcar, o sal e uma xícara de trigo, misture bem.


Deixe crescer por meia hora , coberto com um pano.


Depois, adicione o azeite em fio, mexendo sempre com uma colher.
Adicione o restante da farinha até obter uma massa firme que não pegue
na mão.

Adicione as azeitonas e os oréganos e faça as bolinhas do tamanho que quiser.

Coloque em uma assadeira untada, cubra com um pano e deixe crescer por
mais meia hora. Em seguida pincele com a gema ligeiramente batida e
leve ao forno médio até dourar, mais ou menos uma meia hora.

terça-feira, 23 de maio de 2023

Livros 2022 Breve Vida das Flores- Shantaran- Eliete- Terrinhas- O Acontecimento- Terra Americana

 Quero organizar aqui, no meu diário aberto ao público, os livros que vou lendo...

Como comecei a frequentar um Clube do Livro, seja pela convivência, pelo contágio, pela competiçãozinha, tenho lido muito mais do que em qualquer outra fase da minha vida, mas tenho esquecido de postar aqui, assim vou fazer um resumo daqueles que li o ano passado, depois vou tentar fazer de mês a mês, tá?

Lá vai!


A Breve Vida das Flores, Valérie Perrin

Quase um poema dentro de uma história bastante triste, mas ao mesmo tempo doce.

Considero um livro que vale muito a pena ler.

Um dos melhores de 2022.







Shantaran, Gregory David Roberts.

Quase uma aventura na Índia, gigante, vale exatamente o contrário daquilo que pesa.

Mistura de ficção com história real, achei super chato, mas houve muita e boa gente que adorou...

Eliete, Dulce Maria Cardoso

Escrita maravilhosa, começa-se, não dá vontade de parar. História da vida de uma mulher comum, na casa dos 40, refletindo sobre a vida, vivendo aventuras.

Não entendi o fim, dizem que é suposto haver uma sequência... Mas eu me perdi! 

Vale a pena? Vale sim senhor(a)!

Terrinhas, Catarina Gomes

Aqui em Lisboa, muita gente tem um lugar "no campo", que chamam a "terrinha", muita sorte tem quem tenha um lugar para fugir...

Esse livro conta a história de uma jovem senhora, e a descoberta dos segredos da terrinha dos seus pais.

Super bem escrito, o começo me enfeitiçou, o fim, gostei.


 

O Acontecimento, Annie Ernaux

Ganhou o nobel, fui xeretar.

Adorei, vai no ponto, não dá vontade de parar, autobiográfico, conta de um acontecimento na sua vida, na década de 1960, onde "a gente de bem" liderava a forma de viver...


Terra Americana, Jeanine Cummins

Conta a história da viagem ilegal de mexicanos para os Estados Unidos.

Com grande conhecimento dessa realidade a autora escreve com maestria uma história ficcionada.

Angustiante e muito bom.



sexta-feira, 17 de março de 2023

Voltinhas que a vida dá!

 Há uns anos abriu uma barbearia cá perto de casa, o dono, um brasileiro cheio de simpatia e ideias inovadoras conquistou logo o meu respeito e comecei a levar o Gui para lá cortar os cabelos.

Nas duas primeiras vezes ele cortou com o brasileiro, depois habituou-se a um outro barbeiro deste salão, o João.

Sempre gostei muito do João e o Gui também. E a rotina faz com que a gente não se dê muito conta, mas passaram anos, o Gui era pequenino, hoje já vai e volta sozinho. Isso do tempo...

Eu já sabia que o pai do João também é barbeiro, e que até tinha o desejo que o filho herdasse o seu salão, em outra freguesia, mas o João gostava muito de trabalhar onde trabalha, já tinha adquirido uma grande clientela, gostava de cá estar. Ele contou-me que já se sentia seguro para tentar abrir o seu próprio negócio nessa área, não por estar insatisfeito com o patrão brasileiro, mas por ser um caminho natural, uma maneira de crescer na carreira. Mas também disse que seria incapaz de fazer concorrência a quem lhe tinha dado uma oportunidade, assim, deixou-se estar.

Fui lá há poucos dias e o João contou-me a história, que me deu um gosto incrível ouvir: O antigo dono decidiu buscar novas paisagens, e o João que era um funcionário impecável, teve a oportunidade de ficar com o negócio, ele que estava a sentir-se "atado", sem saber muito bem que rumo tomar, de repente, nada fazia prever, teve a oportunidade perfeita, ficar com aquilo que sonhou.

Gui com 5 anos!

Sorte? Um bocadinho deve ser, mas sobretudo, acredito que foi uma recompensa, por ter sido fiel, ter conquistado uma boa clientela, ter sido responsável. Podemos dizer que ele conquistou de alguma forma aquele espaço. Ele estava radiante, satisfeito, a falar da esposa, do emprego, de um provável ida à Nova York, da compra de um apartamento, enfim, aquela sensação que eu denomino como "fim de novela", onde tudo se encaixa, e os bons recebem uma recompensa.

Isso me faz questionar muito a minha crença, que sempre foi acreditar que algo nos está reservado, é ir levando a vida com retidão, com justiça, com força e as coisas boas vão chegando e acontecendo.

Será? Não sei, mas histórias assim, onde tudo encaixa renova a minha fé!

É bom ver coisas boas acontecendo com pessoas boas!





segunda-feira, 6 de março de 2023

Clube do livro- Apneia

Livrólicos anónimos", esse foi o crachá que ganhamos ontem, da Editora Leya, na reunião do Clube do Livro da @sonia_morais_santos , onde tivemos o privilégio de ter a presença da autora do livro @taniaganho. 

Foi numa linda livraria que eu não conhecia (shame on me),a Bulchholz.
Foi uma noite mesmo em grande. Uma das participantes telefonou-me e combinou de passar em casa para irmos juntas, fiquei tão contente com o carinho dela, depois a reunião em si, para a discussão do livro, extremamente rica e marcante.
 
Já há muito anos aprendi a tentar, fazer um esforço para não julgar. Não porque eu seja boazinha, mas porque no decorrer da minha vida, quase tudo que eu julguei, aconteceu comigo, como uma resposta à pergunta que eu fazia ao universo: Mas como ela aceita isso? Mas como fulana de tal pode ser enganada dessa forma? Mas, como Cicrana pode acreditar nisso? Invariavelmente o universo tratava de me devolver a questão de forma prática. Meio que aprendi, há razão e circunstância para tanta coisa...
 
O livro debatido foi o "Apneia", um livro extremamente bem escrito, envolvente e muitas vezes sufocante, que para algumas das leitoras a história se assemelhava com a própria experiência de vida, e para outras era mesmo uma história. Triste história, mas sinto que é fundamental ter consciência dela, o livro foi um grande guia, a conversa de ontem ajudou a compreender mais um pouco essa realidade.

Saí de lá com a sensação de levar qualquer comigo. Não quero estar aqui a estragar a surpresa da leitura, portanto não vou escrever sobre a história, mas trata de violência doméstica.
Depois fomos num grande grupo "tapear" no "Up to Tapas"  e foi super agradável, além de tapear, deu para papear muito e foi um grande prazer.

Adoro fazer novas "amigas", cada pessoa é um mundo, e não sei se é a atmosfera das histórias dos livros, se é um monte de mulheres juntas, não sei, mas surge muita cumplicidade, um "relax" gostoso, como se todas estivéssemos num ambiente seguro, confortável.
Foi muito, muito bom. Voltei para casa de coração e estômago cheios!


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades...

 No rescaldo da eleição do Lula e com a viagem de Bolsonaro aos EUA, começam a surgir mais insurreições contra o "Mito".

Aliás, se observarmos todos os anos desse "glorioso" mandato de Bolsonaro, constatamos que muitas alianças foram sendo quebradas, muita gente que defendia o ex-presidente foi deixando de o defender e em muitos casos foram se transformando em inimigos.

Eu, daqui, na minha ingenuidade e eterna esperança, ficava a pensar: É dessa, é dessa que os enfeitiçados vão começar a enxergar o Jair como ele é. Mas não, nada disso, o insurgente é que passava de bestial à besta em menos de um minuto.

Cheguei até a perguntar à uma pessoa amiga, qual era a desculpa que os bolsonaristas se apegavam para não enxergar o que se passava, e ouvi que os minions viam o seu Gru como uma vítima, eterna vítima, é o mundo contra ele. Nem comento, já desisti faz tempo.

Pelos vistos, até a Carla Zambelli, que na minha opinião era de tal forma "lambe-botas" do ex presidente que era completamente histérica, com atitudes que chegavam a ser humilhantes, ridículas, descabidas e mesmo perigosas, agora volta-se contra o seu líder.

Hoje ao ouvir o Reinaldo Azevedo, a comentar sobre essa alegada briga entre Zambelli e Bolsonaro disse algo, mais ou menos assim: 

 "O mundo se ilumina sempre que temos bolsonaristas brigando, não por aquilo que eles produzem, não por eles serem brilhantes, pois toda a discussão é baixaria, baixaria da grossa. Mas de qualquer modo, quando essa gente está brigando, a perspetiva para o mundo é positiva, a civilidade, potencialmente, ao menos, sai ganhando."

E é isso, ao ver duas pessoas a se zangarem mutuamente, devemos prestar bem atenção naquilo que reportam, na maneira como se tratam e em todos os comentários que fazem. Acho de uma ingenuidade quase estúpida as pessoas que se unem com aqueles quem eles sabem que são maus, que já anteriormente o viram em ação contra àqueles que discordaram deles e se aliam na mesma. Estão a espera de quê, compreensão, carinho e flores?

Há mais psicopatas por aí do que imaginamos, eu tenho visto e convivido de perto.

Quem se alia com os psicopatas em plena consciência, deve ao menos saber qual será o resultado e se preparar para o desfecho. É fatal, eles não mudam. Hoje você é aliado, amanhã, inimigo. Tão certo como dois e dois são quatro. 

E, as verdades que vem à tona quando se zangam são muitas!

Mais um ditado popular, que é simples e profundo: "Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades". E para além das verdades, conhecemos ainda melhor do que é feito cada comadre!


 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Stuff, Things, the objects we hang our stories on...

 Os podcasts tem sido uma grande companhia nas minhas idas e vindas do trabalho.

Adoro música, mas adoro uma boa história. Adoro falar, mas adoro mais ainda ouvir histórias, um grande prazer.

Oiço muitas vezes o "Modern Love", histórias tão emocionantes, tão bonitas. Como os locutores falam muito claramente e com um inglês dos EUA, eu consigo entender quase tudo.


Eu sempre gosto muito de tudo, mas tem alguns que me emocionam profundamente. Hoje e escutei um  chamado "One man´s trash"que me tocou imenso e fez refletir num tema que me é caro: Coisas.

Já falei mil vezes que sou desapegada de tudo o que é material no sentido emocional. Para além dos meus diários, cartas e de fotos, quase tudo é pura e simplesmente um objeto. Obviamente meu apego é financeiro com as coisas, dou o valor monetário de cada coisa. Quanto mais caro e frágil, mais eu cuido, mas emocionalmente é uma "coisa".

Meu carro tem valor monetário, se dinheiro não fosse a questão, o carro é o carro, montes de peças juntas que nos transportam de A para B. Talvez o valor que eu dê tenha a ver com a capacidade de substituição. Substituir um carro é muito mais difícil que substituir uma caneta, logo valorizo mais o carro, mas sem apego emocional.

Eu por exemplo não dou muito valor para um livro, enquanto objeto, tanto faz, depois de lido emprestar para mil pessoas, se a capa vem com um amassada, se por alguma razão o livro nunca volta para mim... Quero a história, quero a "alminha" do livro. E, por ser uma "coisa" relativamente em conta, menos valor dou. Se por alguma razão tiver que substituí-lo, é possível.

Uma joia, uma geladeira, um sofá, um enfeite, são "COISAS", das quais eu posso gostar muito ou pouco, mas quero, faço questão de vê-las como coisa. Obviamente há objetos que eu adoro, como um relógio que perdi e depois o Jorge deu-me outro igual, mas lá está, foi substituído.

Tudo tem o valor que a gente dá e, para mim, para não ter tanto apego, que custa, que dói, tento distanciar o meu coração daquilo que dá para substituir...Tem funcionado.


terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Livro da Saudade e distrações...

Definitivamente acredito que tenho um problema de concentração. Sou o tipo de pessoa que não consegue estar a fazer apenas uma coisa por vez, talvez o facto de eu começar a limpar a casa, colocar a roupa a lavar, entretanto pagar um conta na internet, colocar a carne a descongelar, no meio disso aproveitar e fazer um telefonema, descer colocar o lixo na rua, tudo de na mesma manhã, possa ser apenas desorganização mental, ou, talvez seja a forma que eu encontrei de estar alerta, talvez precise ir mudando de atividade, para conseguir estar atenta, concentro um pouco em numa coisa, passo para outra, depois volto e vou conseguindo realizar coisas, fica feito, mas assim caoticamente.


No fim desse ano, há alguns meses, comecei a ler um livro, e ao mesmo tempo outro, e loucamente iniciei outro mais! Três livros ao mesmo tempo e olha, tem sido positivo. Na mesma lógica das atividades do dia a dia, concentro numa coisa, no caso num livro, quando começo a distrair, pego em outro livro, repito o processo e daí aos bocadinhos vou dando conta das leituras.

Tudo isso para contar do último que terminei ontem, o Livro da Saudade, da autora Sue Monk Kidd.

Como todos sabemos, a história da vida de Jesus foi sendo contada, e com toda certeza adaptada.

A autora imaginou que Jesus tivesse sido casado, e fez de sua esposa a protagonista da história. Ana.

Um livro que fala da força da mulher, da forma como é vista e tratada na sociedade. Fala do amor.

Em segundo plano fica Jesus, mas nas poucas pinceladas, aparece como eu aprendi e imaginei, um ser de bondade, de amor, de perdão. Exaltava os humildes, celebrava a igualdade. Pacificador.

Uma bela história, que dá muito no que pensar. Mas lá está, tem que pensar.


terça-feira, 29 de novembro de 2022

Quase correr...

Desde que mudei-me para Portugal, por culpa da turma de amigos do meu marido, sempre a "corrida" fez parte da minha vida. Nunca corri grande coisa, mas participei de várias mini-maratonas. Já lá vão muitos anos e houve sólidos anos em que não corri.

2004 corri atrás futuro 1º ministro

Com a pandemia, o ginásio sempre causou-me um certo medo, se calhar ainda o único lugar em que me sinto desconfortável, muita gente bufando ao mesmo tempo e nem sei dizer exatamente quando durante a pandemia, voltei a correr. Mas não é bem uma corrida, descobri hoje que o que eu faço é mais um jogging, quando li na NiT essa definição do PT Tiago Silva:

“Já o jogging consiste em correr num ritmo menos acelerado, sem pensar em tempos ou distâncias por questão de stress ou até de saúde. No fundo, ninguém esta ali para bater recordes pessoais nem atingir grandes objetivos. Passa muito mais desfrutar da vista e de toda a envolvente. Portanto, controlar os batimentos e ritmos também não é uma necessidade”, conta à NiT o também criador do grupo “No Limit Runners“.

Achei a definição perfeita para lá o que eu faço. Corro devagar, corro me poupando, corro sem desejo de superar os meus limites, pois já os considero superados uma vez que que custa-me tanto estar a fazer aquilo que eu faço, vai tão contra a minha vontade, que estar ali, para mim já é uma grande superação!


Outro dia, uma senhora que trabalha num sítio onde eu costumo passar a quase-correr, me parou para explicar que tem me observado e acha que eu estou estagnada, não evoluo, estou sempre no mesmo passo, e que devia fazer isso e aquilo...Tentei argumentar, explicar as minhas intenções, motivações, mas ela estava tão convencida de que eu estava  sendo pouco, que desisti. Esses anos de Bolsonaro e Trump esgotaram completamente a minha capacidade de tentar argumentar. Chega naquele ponto em que eu digo: ok, está certo e sigo.

Desde que voltei a quase-correr, tenho sido consistente e sistemática, sinto mesmo resultados no meu corpo, tenho conseguido manter o meu peso, tenho me sentido bem. Sigo odiando cada passada, o que me motiva é saber que vai acabar!

Portanto tem sido assim, como em tudo sou pouco ambiciosa, mas acho que uma coisa boa da meia idade é ser generosa comigo mesma, é dar aquele beijinho no meu ombro e dizer: tá ótimo Maria Eugênia, tá ótimo!


 

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Por que raio eu fui perguntar?

 Essa mania idiota que temos de achar que conseguimos influenciar em  alguma coisa no mundo através do nosso pensamento...

Eu, quando fico nervosa, tenho a tendência para a superstição, e quanto mais nervosa, mais acredito que a culpa é minha, pois pisei na parte escura da calçada, ou contei algum segredo, qualquer coisa, que mental e ridiculamente eu estabeleci comigo mesma que se fizesse iria acarretar na terceira guerra mundial... Enfim, quem nunca?

Há muitos anos tenho medo das respostas que a vida dá às minha perguntas julgadoras. Cresci no rescaldo da 2ª Guerra Mundial, onde não havia grandes dúvidas sobre o mal do nazismo, era criança quando o regime militar acabou no Brasil, e cresci num mundo onde a tortura era mal vista, com quase concordância de todas as pessoas. 

Mas o tempo passa e tudo vai mudando, aos poucos, gota a gota. E a resposta para as minhas perguntas internas: como as guerras acontecem? como alguém apoia uma ditadura? apareceram. O mundo e o seu retrocesso mostraram claramente como  pessoas com as quais eu convivi apoiam protoditadores, como apoiam o ódio. Pessoas normais, que hoje treinam tiro, como se arma fosse uma coisa boa.

Parecem que decidiram que o ódio vale mais a pena e como na segunda guerra mundial, precisam de um bode expiatório, alguém que seja culpado pelo insucesso, pelo mundo estar tão mal.

Em 1939 a culpa foi dos judeus, hoje a culpa é dos pobres, dos desfavorecidos. São para abater, mão tem direito, são maus.

Assitir qualquer abominável discurso do Trump, com aqueles trejeitos ridículos, falando do "Muro", criminalizando constantemente a imigração de outras partes da América, misturando imigrantes com traficantes, para deixar as pessoas confusas, com medo, e logo, prontas para o ataque, semeando o ódio, sempre revirou-me o estômago.

Essa gente de bem, que se farta de colocar a palavra "deus" em cada frase, achando que só por dizê-la, transforma-se automaticamente numa boa pessoa, e a sua ação, numa boa ação e aliviam a sua consciência, também reviram-me o estômago.


Ando super cansada do mundo, super desanimada...Me arrependo de pensar tanto nessas questões, preferia nunca ter percebido como as pessoas se transformam nesse pacote de hipocrisia e egoísmo.Parece que tudo tem que acontecer mais uma vez, o terror, as perseguições, a falta de liberdade, o medo, para que as pessoas voltem a valorizar a democracia e o bem. Quando nessa minha existência eu imaginei que haveria pessoas a chorar e pedir pela volta da ditadura?

Ontem acabei de ler um livro chamado "Terra Americana" e ainda estou com a cabeça a roda, sentindo-me minúscula.

Lembrei de um filme que eu assisti há muitos anos, onde dois amigos estão a conversar e quando proferem frases preconceituosas na cena seguinte acontecem coisas nas quais eles se vêm na mesma situação daqueles de quem eles falaram com preconceito. Tipo falam mal de um judeu e ao sair do bar vem a Gestapo e os persegue... Enfim, acho que nem todas as situações precisariam ser sentidas na pele para ser "sentidas", mas... quando não vai pelo amor, vai pela dor...



domingo, 13 de novembro de 2022

Ai, a maldade...

 Mais uma vez utilizo da sabedoria popular para escrever.

Dessa vez pensei na fábula da tartaruga e do escorpião.

Basicamente essa é a história:  o escorpião quer atravessar o rio e pede ajuda à tartaruga, que responde que não vai ajudar porque o escorpião pode picá-la. O escorpião convence a  tartaruga com o argumento de que se picar a tartaruga vão morrer os dois, no meio do rio. A tartaruga fica assim convencida e aceita levar o escorpião, que no meio da viagem impinge uma picada. A tartaruga fica chocada e antes  de morrer pergunta ao escorpião a razão daquilo, uma vez que ela já começava a afundar e ambos vão perder a vida e o escorpião responde: não há razão, é a minha natureza.

E é isso, caramba, muitas vezes acho que nada mais está por ser descoberto nesse mundo, as fábulas , os ditados populares explicam tão bem as relações e como as pessoas são quem nem é preciso fazer análise.

Tem gente que é assim, de natureza má. Como tem dentro delas ranço, maldade, desassossego, estão sempre a criar situações, inimigos, perigos que nem existem. Reagem com loucura a qualquer estímulo, desconfiam das coisas mais idiotas.

Como são pessoas que estão o tempo todo a tentar tirar vantagem, acreditam piamente que os outros tem a mesma natureza, portanto são desconfiadas, porque de maldade, elas entendem, e conseguem imaginar mil cenários em que a outra pessoa possa estar a ganhar qualquer coisa. Sempre alerta a reagir de forma histérica.

Inventam guerras, maledicência, mal estar. Tornam o mundo muito pior com a sua presença, não são felizes e ao invés de buscar a felicidade tentam nivelar o mundo que os rodeia por baixo, tentam que todos estejam infelizes, assim, sentem-se mais confortáveis. Nada a fazer, é da natureza dessas pessoas.




segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Ficar no sofá? Sair do sofá? Eis a questão...

 Lembro da minha mãe sempre contente quando chegava a hora de ir para a "caminha" dela.

Eu, quando comecei a prestar atenção nessa predileção, era adolescente, e ir para a "caminha" não era de todo algo apetecível, achava uma perda de tempo fora do comum.

Dormir, ficar no sofá, ficar em casa, naquela fase da minha vida era sinal de fracasso, de fim-de-semana estragado.

Com o passar do tempo, vou gostando cada vez mais desse "dolce far niente", chego a pensar, na hora que acordo, para me animar:- Logo volto pra cá, força, logo voltará para a "caminha".

Detesto muitos finais-de-semanas com coisas combinadas. Parece que já fica estragado, gosto de imaginar que eu terei opções, estará em aberto. Sempre opto por ficar em casa, dormir...que delícia!

Mas esse último fim-de-semana foi diferente. Na sexta fui à um Clube de Leitura que comecei a

"as mininas do Clube"

frequentar e geralmente se reúnem às Sextas-feiras. Titubei um bocadinho, pensei por uns segundos em não ir. Deu uma preguiça, uma vontade de me atirar ao sofá. Preguiça de trocar-me, preguiça de fazer pão com azeitonas (tenho a impressão que elas gostam de mim porque eu levo pão de azeitonas kkk), preguiça de no pegar no carro and so on...

Mas, fui. E como sempre, foi mágico. Confesso aqui que, vou muito mais pelas companhias, pela partilha, pela beleza de troca que senti e sinto ali, do que propriamente pelos livros. Honestamente, dicas de leitura tenho tantas, que acho que nem que viva até aos 100 anos terei capacidade para dar conta desse recado. O que gostei foi estar com elas. Gosto de gente e aquele grupo me atraiu de uma maneira, que parece que era mesmo para lá que eu tinha de ir. Foi muito giro.

No Domingo, o sofá perdeu de novo. Lá me levantei e fui para o Museu do Bordalo Pinheiro, com uma grande amiga, participar da primeira de quatro sessões de um curso de cerâmica. Eu tenho um caso de amor com muitas peças do Bordalo Pinheiro e foi um grande prazer.

A menina que estava a dar o curso, nos deu um pedaço de barro, e cada um moldava a sua maneira (resumindo o acontecido). Eu, meio que sem saber o que criar, lembrei que uma vez tive de fazer um presépio para escola de um dos filhos, depois já estamos entrar na época natalícia, depois estou a ler um livro que fala em Jesus... e todos os caminhos me levaram a fazer uma cena da natividade.

Dei a primeira "de mão", semana que vem continuamos... 

Minha obra de arte
Sempre tive vontade de fazer isso


 









 

E pronto, o sofá perdeu-me, e eu ganhei muito nesses dias! Rico fim-de-semana!

domingo, 23 de outubro de 2022

A minha casa e a sua casa

 Há poucos anos, descobri que não mostrar a minha casa para alguém que cá vem, pela primeira vez, é sinónimo de falta de educação.

Não estou sendo irónica, eu não sabia. Nunca mesmo imaginei que cometesse essa indelicadeza quase sempre. Sempre que posso, evito mostrar a minha casa toda.

O meu lema está logo na entrada


Essa "falta de chá" tem muitas razões que vou tentar enumerar aqui:

* minha casa é uma bagunça, tem sempre inúmeras "coisas" que ainda não sabemos o que faremos com elas, e ficam assim, num canto qualquer, até eu ter um ataque de fúria e dar um fim triste tudo...

* somos pessoas descuidadas, esquecemos coisas íntimas, aqui e ali, entre nós os quatro não há grande confusão, mas nem por isso temos orgulho em que a visita veja: pacote de absorvente, cuecas e calcinhas a secar penduradas num canto do banheiro, sutiãs que ainda vão ser usados mais uma vez, na bancada da pia...Coisas que eu acho normais, mas não quero que todos vejam.

* nem sempre a cama está arrumada...confesso...

* nem sempre as escovas de cabelo estão despidas de fios, confesso.

* nem sempre o pessoal que vive aqui lembra de tirar aquele suporte de rolinho de papel higiênico, quando o mesmo acaba, não sei, acham que a mão vai cair se o atirarem para o lixo... É comum encontrá-los na bancada da casa de banho.

* aquela roupinha que ainda vamos usar mais uma vez pululam nos quartos...

Enfim, nossa casa está longe da ordem que deveria ter para receber uma visita, confesso.

E já que estou aqui, abrindo o meu coração e contando tudo aquilo que deveria ocultar, vou dar essa bomba: para que alguém venha jantar aqui, nesse humilde lar, chega um ponto em que tiro tudo aquilo que "não sei ainda o que vou fazer com isso" e jogo num dos quartos, que obviamente não tenho vontade de mostrar.

Mas, muito honestamente, se alguém estiver aqui em casa, e por qualquer razão tiver que entrar numa divisão onde não consegui disfarçar o caos, olha, engulo seco, penso nisso três segundos e depois nem penso mais nisso. É assim, é a minha casa, pense o que quiser, meio que tanto faz.

Em compensação, eu não faço questão de conhecer a casa de ninguém. Ninguém mesmo. Não me suscita grande curiosidade, basicamente estou "marimbando" para a forma como as outras pessoas organizam e decoram a casa deles. 

Se quiserem mostrar, aceito alegremente, agradeço, mas dois minutos depois já nem lembro bem como era a casa. Claro que enxergo, gosto, não gosto, inspira-me ou não, mas lá está, não é problema meu, não tem qualquer impacto na minha vida. Caguei. Mesmo.

A verdade e que eu tenho imensa preguiça de ir à casa dos outros, prefiro estar na minha. São poucas as casas em que estou super a vontade. Gosto mais de estar na minha.

Assim, vamos organizar: tenho pouca curiosidade de conhecer a casa dos outros, se me convidar, não se preocupe em fazer um tour. Se quiser fazer o tour, o farei com gosto e só vou falar daquilo que eu acho bonito.

Se quiser conhecer a minha casa, peça, provavelmente se lhe convidei para jantar aqui é porque sinto-me bem consigo e passo na boa a vergonha daquela baguncinha básica. No fundo não é algo que me preocupe muito. Só acho mesmo que um tour pela minha casa não é algo muito excitante, é uma casa como outra qualquer, só que mais bagunçada. 

Eu gosto, me interesso por gente, pela história das pessoas, reparo em fotos, quadros que me inspiram... Disso tudo eu levo um bocadinho, na minha memória, no meu coração. Quanto a maneira que os outros organizam as suas casas já disse e repito: CAGUEI.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Peito de Frango picante com couscous

 Ingredientes:

Para o frango:

3 peitos de frango ( mais ou menos 450 grs);


1 cebola média;

3 dentes de alho;

Meio suco de limão; 

2 colheres de chá de alecrim;

2 colheres de chá de tomilho;

2 colheres de chá de cebolinho, pode ser fresco ou seco;

2 colheres de chá de noz-moscada;

1 colher de chá de canela em pó;

1 colher de chá gengibre em pó;

1/2 chávena de molho de soja;

2 colheres de sopa de azeite;

Pimentas, na quantidade e sabor que a cada um é mais apetecível;

Para o Couscous

250grs. de couscous;

300grs de água a ferver:

Sal e pimenta a gosto, ou meio cubo de caldo knoor.

 Modo de Fazer o Frango:

Colocar todos os ingredientes (expeto os peitos de frango) num robot, bater até formar uma pasta, colocar  tudo num recipiente, com os peitos de frango, deixar marinar por algumas horas (pode até deixar de um dia para o outro no frigorífico).

Na hora de colocar no forno, dispor numa forma, tirando o excesso de molho.

Colocar no forno a 200º e quando estiver caramelizado, está pronto. 

Modo de fazer o couscous:

Colocar o couscous num recipiente fundo, pode ser até o mesmo em que ele  vai ser servido. Entretanto, ferver 300grs de água com sal e pimenta, ou se preferir, meio cubo de caldo de galinha, assim que ferver, colocar a água no couscous, tapar com um pano de prato, que o couscous fica pronto em 5 minutos.

E já está! Fica delicioso!


 

 


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

"Cão que não conhece o dono"

 Adoro os ditados populares! Vou tentar manter um hábito de sempre que me lembrar explorar algum!

Hoje é: "cão que não conhece o dono".

Bem, começo por dizer que os ditados populares me encantam no sentido de serem simples, diretos e assertivos.

Quando eu fui gerente num café, tinha sob meu comando umas 8 pessoas. Detestei a experiência, foi das coisas mais frustrantes da minha vida e conheci pessoas que o lado positivo desse conhecimento foi saber que nunca mais as veria! 

Eu tentei de mil maneiras ajudar muita gente, tentava ser compreensiva, emprestei (dei) muito dinheiro para vários funcionários e no fim-do-dia: reclamação, má-criação, traição. Parecia que tinham uma eterna raiva de mim.

Um dia, uma das senhoras que lá trabalhava disse-me: Eugénia, pare de tentar ajudar porque isso é "cão que não conhece o dono". Pensei, que ditado brilhante!

Ele diz tudo, é imaginar um cão, por norma um ser fiel e amoroso, não reconhecer aquele que o ajuda.

São aquelas pessoas que por mais que se faça, que se tente ajudar, guardam uma raiva interna, parece que são combativas logo de cara, desconfiam, se acham mais espertas. 

É um caso perdido. Fez-me lembrar uma pessoa que sempre dizia uma coisa de forma arrogante, mas que muitas vezes é verdade: não tem o substrato para entender a relação. E é isso, muita gente cresceu numa família, num clima de competição, de mal ambiente, de guerra. Provavelmente onde o outro era visto como inimigo, e depois não conseguem reconhecer o amigo, tudo o que vem pela frente é para combater.

Acho que não há volta a dar, é ir lidando, e sempre que possível, se afastar.

Quem não aprende ser bom, nem reconhece bondade, está inapto para esse sentimento. Perde o melhor da vida, que são as duas vias da gratidão, que é sermos felizes por reconhecer o bem que nos fazem, e é ser felizes quando alguém reconhece o bem que fizemos.

Conselho (que ninguém pediu), cuidado com o "cão que não conhece dono", uma hora ou outra ele morde você! 


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Cubo mágico ( Cubo de Rubik), amizade mágica

 

Estávamos num restaurante em Ayamonte, onde sempre há muitos portugueses.

Dessa vez não foi diferente, quase todas as famílias que lá almoçavam eram portuguesas.

Havia uma mesa ao lado da nossa com algumas crianças, uma delas, um rapaz decifrava um cubo mágico, logo, o Gui, inspirado, começou a fazer o cubo que ele tinha, que era diferente do outro rapaz, que, no momento que viu a variante do Gui, ficou logo curioso, olhando...

Eu, que adoro gente, incentivei o Gui a ir emprestar o seu cubo para o menino, e aquilo foi instantâneo, começaram a brincar juntos, numa troca e numa harmonia muito bonitinha.

Chegou a hora de ir embora, eles trocaram o número do telemóvel, e o Pedro (rapaz com quem o Gui estabeleceu a brincadeira), escreveu no contacto : Guilherme Amigo.

Simples assim: Guilherme Amigo. 

Uma vez no carro, enquanto o Gui e o pai debatiam as formas de pensar no cubo, eu só pensava na beleza daquele contacto: Guilherme Amigo.


segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Friends e a dura realidade...

 Acho que fui uma das últimas pessoas a ver o reencontro dos Friends, que foi em 2021.

Honestamente não lembro de acompanhar assiduamente a série quando vivia no Brasil, mas quando vive nos EUA, 2000-2001, assistia quase todos os dias.

Era divertido, sem grande profundidade. Sempre gostei, sem amar.

Mas não é sobre isso, mas sim, sobre envelhecer, que eu quero escrever nesse post.

Muito mais do que aceitar a idade, está sendo difícil realmente incorporar, enxergar-me com quase 50 anos. E não, não é porque eu rejeite a minha aparência, mas tenho a certeza absoluta que eu me vejo muito melhor do que aquilo que devo aparentar. Imagine uma anorexia ao contrário, estar gordinha e se enxergar magrinha, eu sou velhinha mas me vejo mocinha...

Bem, não diria mocinha, mas como não me sinto tão "entradota" tenho dificuldade de entender que sou uma senhora, mesmo com quase, quase 50 anos. E, como eu sempre digo, ninguém nunca me dá menos idade do que aquilo que eu tenho, assim, certamente tenho, com sorte, cara de 50. 

Há uns dias tenho pensado em fazer alguma intervenção com a minha papada. Acho que cada pessoa tem aquela carga genética e é difícil fugir dela, a papada é uma herança familiar, ela cá canta, e tento que não apareça nas fotos, mas na vida real não há como remediar. Também é preciso dinheiro, confiança, informações, e isso leva tempo, há pouco tempo, a papada vai crescendo, a vida vai passando... sei lá, uma hora vejo isso melhor.

Mas, é aí que entra os Friends. Olhei para o pessoal e vi mesmo uma bando de idosos, sem dó, nem piedade. Duas delas, que devem ter feito muitas intervenções, estão simplesmente com cara de idosas que fizeram plástica, mas há qualquer coisa, que não dá para negar, mudar, esconder. Pode-se ficar com cara mais esticada, mas há algo, um brilho no olhar, na pele que vai embora...não há milagres.

Estive ali, a analisá-las e conclui: se elas que vivem da imagem, tem acesso a todos os cuidados possíveis e imaginários do planeta Terra, estão, assim como eu , despencando....olha F@da-se, deixa eu envelhecer em paz, porque mesmo que tivesse acesso a tudo, seria mesmo isso: uma velha esticada, nunca uma jovem. É aceitar, que dói menos!





quinta-feira, 23 de junho de 2022

Bullying e ilações

 Sofri alguns bullying e pratiquei bullying, mas não faço disso um grande drama.

Reconheço que não faço disso um grande drama porque superei bem. Aliás tenho em muitos dos casos, a sensação de final de novela: muito das pessoas que me fizeram bullying, que eram mesmo muito "mazinhas", engoliram cada sapo nesse caminho, que eu nem precisei desejar mal, a vida se encarregou.

Não sou santa, estabeleço uma conexão e sinto-me vingada.

Mas teve uma pessoa em particular que eu tomei como o meu saco de pancadas. 

Ela era, é talvez, um amor. Nunca me fez nada de mal, pelo contrário sempre tratou-me bem. Não merecia.

Muitas vezes pensei nela, pensei em pedir desculpas, dizer que eu tinha sido tonta, má.

Fui procurá-la no facebook, dar uma avaliada na vida dela... 

A primeira frase que eu li era qualquer coisa como: Bolsonaro é o Mito, que veio salvar o Brasil.

Desisti.

Não sou santa, estabeleço uma conexão e sinto-me perdoada.