quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Que seja infinito enquanto dure...

É assim. Foi assim. Se calhar tudo nessa vida tem mesmo um começo, um meio e um fim.
Se a partida já sabemos disso, o melhor é relaxar e viver sabendo que muito provavelmente a relação não será para toda a vida.
Cada fase é diferente.
O começo é fácil. É a novidade e a adaptação! Tudo tão perfeito, cheirando a novo. Tudo funciona bem. Temos cuidado, tratamos com carinho, fazemos planos para conservar da melhor maneira aquilo que nos custou tanto a conseguir! Estimamos. Olhamos com carinho.
O meio é fase em que já nos adaptamos, no começo do meio ainda há muita alegria, um certo conforto na vivência, sobra ainda muita estima. Mas o tempo vai passando, e começam a aparecer os defeitos, no começo são pequenos detalhes, mas com o tempo ou os defeitos pioram, ou o dia-a-dia faz com que tenhamos menos paciência para as pequenas falhas. Já nada funciona mais tão bem. O brilho do começo já deixou de existir... vamos nos aproximando do fim.
Finalmente o fim. Já estamos tão cansados de conviver com os mesmos problemas que, por muito que tenha sido bom, por muito que a relação tenha sido correcta, que tenhamos convivido em harmonia ( os defeitos eram apenas irritantes, não fatais), percebemos que o fim está próximo. Não acho que seja fácil concluir isso. Claro que não. Custa imaginar a mudança. Custa imaginar o começar de novo... Mas se formos fortes o suficiente, realistas o suficiente e percebermos o momento em que tudo acabou e não esticar a corda, não deixar que tudo colapse de uma vez, não tornar urgente a mudança, mas ir percebendo que o fim é inevitável  e ir buscando novas alternativas, com  calma e com tempo, podemos ter um fim digno, carinhoso e ficar com boas recordações. Entender que acabou, mas foram muitos anos juntos e felizes. E partir para outra, a vida continua!
Troquei minha máquina de lavar roupa e não podia estar mais contente! Adorei a anterior, apesar de ser uma máquina maluca, super barulhenta... essa nova é silenciosa e cheia de funções legais...
Foi bom enquanto durou! 15 anos sem deixar de funcionar, sem precisar de conserto, nada... mas estava velhinha!!!


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Ser grande e ser pequeno...

Há uns dias a nossa casa estava em polvorosa...Meu marido estava prestes a receber a visita de seu professor de doutoramento, que para além de seu professor, é, sem dúvida, seu ídolo.
O J. todo animado, ansioso, a pensar em 3000 detalhes. Eu, um pouco insegura, com relação ao meu inglés, com os meu horizonte limitado, com a minha pequenez, mas ao mesmo tempo, sem muito tempo para me sentir insegura, ou nervosa, a vida , a rotina faz com que não sobre muito tempo para grandes pensamentos, vamos vivendo e logo se vê.
Chega o "grande dia" e o J. vai buscá-lo, estava numa excitação maior do que a Filipa, quando ganhou a Big LOL, estava radiante!
Justamente naquele fim de semana eu me sentia um bocado cansada, com a sensação de uma gripe, que me deixou meio sem coragem. Mas o J. estava a contar com recebê-lo, e sim, eu tinha imenso prazer nessa visita.

Eu estava assim meio perdida, O J. me garantiu que ele era uma pessoa cool, que bastava eu ser "eu" que estava bom
Nem sei como explicar, mas numa sucessão de confusões acabei por chegar em casa mesmo com pouco tempo para deixar tudo arrumado, mas lá dei meu melhor e mantive as coisas simples, e recebi a ilustre visita de avental, rindo e me desculpando.A porta de nossa casa consegui perceber que ele tinha alguma coisa de especial, de elevada- e não, não eram os conhecimentos matemáticos, pois esse eu não consigo medir, transbordava bondade.
De repente estava com uma pessoa de uma inteligência infinita, que transmitia na mesma proporção humildade e simpatia. Foi um jantar ao mesmo tempo simples e grandioso.
Do outro lado do rio


No outro dia fomos almoçar juntos, do outro lado do rio, de barco, e a companhia do professor continuava a me surpreender, na gentileza, na curiosidade sobre a nossa vida, na curiosidade sobre o mundo, vá, na humanidade tão simples, na ausência total de qualquer sentimento que não nos deixasse super à vontade e super a gosto na sua presença.
Fiquei a pensar que a verdadeira grandeza, se calhar, é ser grande o suficiente para perceber que somos pequenos, que há tanto coisa por aí e que somos na verdade pouco, muito pouco... o melhor é espalhar amor, que de arrogância esse mundo está cheeeeeio!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

The Brown Sisters

Um senhor americano, Nicolas Nixon, fotógrafo, casado com uma senhora, que tem três irmãs, começou em 1975 (tinha eu ainda 2 aninhos) a tirar fotos do quarteto durante 40 anos e essas fotos ganharam imensa notoriedade e estão expostas no Museu de Arte Moderna de Nova York.
As fotos sempre me comoveram. Eu não entendo nada de fotos, mas essas fotos parecem que falam comigo, na pose, no olhar, parece que conheço cada uma delas... parece que as conheço de toda a vida. Devem ser tão bem captadas que mostram a personalidade ( obviamente a personalidade que eu acredito que cada uma tenha...) das modelos.
Depois as fotos são um murro no estômago, pois mostram aquilo que o tempo nos faz, num virar de páginas... Claro que podemos envelhecer bem, claro que cada idade tem seu encanto, mas a graça, a frescura da juventude é algo arrebatador e ver isso sendo perdido a cada folhear...dói. Vejo a mim mesma mais para o final do livro e vejo a velhice logo ali a porta e como tudo passa tão rápido...num instantinho!
Quando me sinto assim, tão mais velha, gosto de tentar ir lembrando meu percurso e como sempre aproveitei sempre cada ano, cada momento. É de certa forma me consolar e ir dizendo para mim mesma, que a minha vida está a passar rápido, mas sendo desfrutada com intensidade...
Enfim, ganhei o livro, e adoro-o imensamente! Vale a pena conhecer esse trabalho!
The Brown Sisters- Forty Years



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Tão novinho e tão machista!

Fui comprar uma prenda de anos para o meu marido...
Fui ao ECI e tive ajuda de um rapaz, com para aí 20 anos...
Super simpático, prestável, brincalhão...
Então, percebendo que eu entendia pouco de drones, foi me explicando a funcionalidade dos diversos aparelhos (brinquedos), até que chegou num drone que é terrestre e tem um sistema de walk-talk, e, ele querendo mostrar a funcionalidade do bichinho, disse-me:
- Isso aqui deve ser ideal para a senhora e o seu marido, por exemplo, seu marido está a assistir uma partida de futebol, acaba-lhe a cerveja... ele manda o drone para a COZINHA e pede que a senhora lhe leve uma cervejinha! Funcional, não é?
E eu fiquei olhando para o rapazola, esperando ele dizer: Tô a brincar! Mas eles falava a sério...
Eu respondi...sabe, meu marido pouco futebol vê, e no caso de ele estar a assistir um jogo, ele tem antes de mais nada amor à vida e amor ao drone, e não se arriscaria tanto|
kkkk, enfim... mentalidades ainda antigas num invólucro tão jovem!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Pensando em café...

Já há muitos anos sou consumidora moderada, mas com grande prazer de café.
Quando vivia no Brasil passava o dia tomando café de cafeteira, que apesar de hoje ser a antítese daquilo que eu gosto- um café fraquinho e cheio de açúcar, eu adorava!
O cheirinho do café pela manhã! hum...
Depois quando fui viver nos EUA comecei gostar do café americano, aqueles copos gigantes de café, que mais que a bebida em si, são uma bela companhia quando nos sentamos num "coffee shop" e bebericamos e vemos a neve a cair ouvindo um jazz... que saudades! Nessa fase comecei a gostar do café sem açúcar, se calhar por ser mais fraco, fui habituando com o gosto do café em si!
Depois em Espanha aprendi com a minha amiga Sheila a utilizar a cafeteira italiana e disso nunca mais deixei de gostar, essa transição de um café que não é forte como um expresso, nem fraco como um americano (verdade seja dita depende da qualidade e quantidade de pó que colocamos na cafeteira) e até hoje pela manhã é a minha bebida de eleição.


Para depois, no meio da manhã, já gosto de um belo café expresso, e gosto mesmo de um nespresso, nunca erra, sempre delicioso ( só gostava que fosse mais quente).
 Quando me casei, meus pais estavam aqui em Lisboa e entramos numa loja que vendia café, cafeteira, bombons, na rua Garret ( A Casa Pereira) e o meu pai me ofereceu a minha cafeteira Bialetti, linda, pretinha!
 A loja é linda e tem aquele cheirinho de gostosura, café, chá, chocolate...
Usei muitos anos a minha cafeteira, que era para seis chávenas (xícaras), mas como diz o ditado- " do grande faz-se o pequeno" , eu utilizava com menos água ...
Mas, depois de 14 anos de amizade, a minha amada cafeteira foi ficando velhinha, e passeando pela catedral da felicidade, meu amado ECI, encontrei outra cafeteira Bialetti em promoção e dei-me de presente a nova companheira, menorzinha,branquinha, lindinha e certamente companhia para muitos mais anos!
Bem vinda pequena Bialetti!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Feliz 2018!

Nesse fim de ano, tempo até tive para escrever aqui no bloguezinho, mas faltou-me inspiração.
Como hoje ainda me falta.
Mas não queria deixar "a peteca cair" e acabar por deixar o blogue morrer e deixar de fazer uma pequena análise do ano que passou.

Numa análise geral do meu 2017 tudo fica um pouco confuso, os anos estão a passar muito rápido e um mistura com o outro, de maneira que quando penso em algo nunca sei se foi no ano passado ou há dois... já nem sei. Sinais dos tempos, mostra clara de que estou já mais para o velhota e o conceito de tempo vai perdendo o sentido... são tantos anos pra lá... nem sei.
Nesses últimos dias bateu-me um certo desânimo e não há uma razão concreta para isso. Deve ser do frio.
Acho que o Natal está sobrevalorizado pelo mundo... esperamos tanto por ele e quando chega é uma chatice pegada. O Ano Novo sempre foi sobrevalorizado por mim, e há mesmo muitos anos que tem se dividido entre "kind of boring", para "uma bostada", com exceção de um ou dois menos chatos, mas por norma são sempre tediosos.
E pronto, entro em 2018 com os ânimos um pouco em baixo, fazendo um esforço por ser grata, porque racionalmente tenho muitas razão para tal, mas com uma irritação e um saco cheio assim, para o forte.
Talvez por isso ainda não tenha vindo escrever no blogue, afinal é um tanto "pointless" vir para cá nesse espírito...Mas é a realidade, nada a fazer.
Começo o ano um pouco amarga, irônica, cínica...e de saco mesmo muito cheio, sempre dando um grande suspiro enquanto conto até 20 e esperando ver se me animo...
Entretanto, de verdade, sem cinismo, sem amarguras e sem ironias, desejo um feliz 2018 para toda a gente, é sério... Logo me animo!



domingo, 17 de dezembro de 2017

Frango com massa filo

Faz tempo que eu não coloco nenhuma receita, mas tenho feito muita coisinha boa, minha paixão por cozinhar, testar novos pratos e devorá-los nunca acaba!
Se calhar o facto da minha santa sogra providenciar a comida do dia-a-dia faz com que a cozinha do fim de semana seja um prazer! Estou sempre procurando receita novas e tentando fazer coisas diferentes, tentando descobrir como se faz isso ou aquilo...As vezes acerto, outras erro e tento repetir a receita, para mudar algo que achei que poderia ter ficado melhor... Enfim, para que tanto " blá-blá-blá?" Vamos receitar?

Essa é uma receita que vi do Gordon Ramsay, mas fiz as modificações que achei que combinavam melhor com nosso paladar!


 Ingredientes:
5 folhas de massa filo;
1 colher de sopa de azeite;
2 peitos de frango cortado em pequenos cubinhos;
1 cebola pequena, cortada em pedaços pequenos;
1 pedaço mais ou menos de 5x2 cm. de gengibre fresco, ralado bem fininho;
3 colheres de sopa de amêndoas laminadas;
1 colher de chá de cominhos:
1 colher de chá de canela em pó;
2 colheres de sopa de manteiga derretida;
1 ovo;
200 ml de natas (creme de leite)
Sal e pimenta preta a gosto
100 ml de água, dependendo dos "sucos" que a cebola e o frango vão "soltar"

Numa panela refogamos a cebola com o azeite, até ficar macia e meio transparente, temperamos com sal e pimenta.

Adicionamos os cominhos, deixamos vir aquele aroma e colocamos o gengibre e as amêndoas.
Se ficar muito seco, colocamos um pouco de água, de maneira que fique "molhadinho", mas sem ficar líquido..
Precisamos de um recheio que se assemelhe a uma massa, não uma sopa, compreendem?
Depois acrescentamos o creme de leite ( que torna o recheio bem mais líquido) e a canela
Deixamos esfriar até ficar na temperatura ambiente.

Daí vamos montar a massa.
Num refratário que possa ir ao forno, (no meu caso, um refratário redondo de 25 cm de diâmetro)  colocamos quatro folhas da massa, sempre pincelando em cada uma delas manteiga, colocamos de maneira que sobre aos lados massa, para fechar a torta.
Colocamos o recheio dentro, nessa foto acho que fica claro tanto a quantidade de massa filo que deve "sobrar" para fora do recipiente. Nos ingredientes eu sugiro 5 folhas de massa, pois, é a sobra da massa que irá fechar a tarte, assim, caso o que tenha sobrado ao lado tenha ficado "curto", podemos sempre fechar com a 5ª folha...
Quanto mais massa, mais crocante fica a tarte.


Levamos  ao forno para assar, quando a parte de cima fica dourada, com muito cuidado tiramos do forno, colocamos um prato e viramos a tarte do lado contrário, e voltamos a pôr no refratário, mas desta vez, com a parte de baixo virada para cima, pois a massa filo tem que estar bem assada para ficar na sua potência "crunch".
Quando a a parte de baixo ganhar cor dourada, com a mesma habilidade que utilizamos anteriormente, viramos de novo no prato e voilà, temos uma deliciosa tarte de frango, com um sabor surpreendente!
A mistura do gengibre, cominhos e canela dá um sabor exótico, diferente ao prato, a massa filo fica sequinha, as amêndoas dão um extra crocância... uma delícia... parece mais difícil do que realmente é de se fazer...Na verdade custa muito pouco e vale muito a pena!

PS: Caso a minha explicação tenha ficado difícil de entender, clique na palavra Gordon Ramsay que está em vermelho no texto, é um vídeo com o Gordon a fazer, acho que ajuda a esclarecer....beijinhos!