quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Carlos Drummond de Andrade e religião...

Estava eu a ouvir uma reportagem com o escritor Carlos Drummond de Andrade, e ouvi essa declaração, feita por ele, dizia assim:

¨A minha experiência religiosa, resulta, naturalmente, da minha formação familiar. Nós herdamos a religião como nós herdamos os objetos, as terras, tudo que havia dos antepassados. Sucede que já moço eu abandonei esse fardo, a minha experiência foi muito desalentadora. Acredito que o contato com os padres tenha contribuido para que eu me afastasse do sentimento religioso. Depois a leitura dos escritores franceses cépticos, fez com que eu perdesse completamente meu vínculo com a religião. Embora eu diga que acho admirável que os outros tenham religião¨ .

Gostei, mesmo porque, ao ouvi-lo com aquele adorável sotaque mineiro, que, na minha mente faz logo uma associação ao catolicismo, foi um tanto revelador.
Penso muito sobre a religião, observo bastante a atitude das pessoas com relação a religião, é um tema que sempre me intriga.
Fui muito católica durante muito tempo, e a frase com que ele começa a dizer que a religião é algo que herdamos, eu não poderia concordar mais. Durante muitos anos da nossa existência a religião é nos imposta através do meio em que convivemos. É o normal, nossos pais impõe a verdade que eles acreditam, de uma forma mais vigorosa ou mais branda, mas é aquilo que eles acreditam e acham que é certo, acontece naturalmente.
Depois crescemos, questionamos a vida e começamos a ter nossa própria opinião acerca do tema.
Muita gente fortalece na fé que herdou dos seus pais, muita gente esmorece e começa achar que aquelas verdades herdadas são questionáveis- meu caso.
Mas adorei quando ele termina a dizer que acha admirável que os outros tenham religião, pois é outra coisa que eu sinto também, acredito que a magia da fé seja muito válida e uma certa pressão social para o bem ajuda muita gente a engrenar. E é bonito ver uma pessoa a acreditar.
Muita gente da minha geração, principalmente os homens, que não falavam em igreja e religião e, hoje em dia, se tem voltado muito para Deus, o que para mim é curioso. Pensei sobre o assunto e acredito que o Deus que muitos procuraram foi mesmo aquela coisa interna, de fazer o bem, ter parâmetros e se ajustar- isso aos meus olhos é também admirável.


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