Incrível como os ¨cheiros¨ nos transportam a lembranças assim, num ¨click¨ .
Bem, pelo menos comigo é assim. Nada, nem uma música, uma lembrança, uma foto conseguem me transportar a outro lugar como os cheiros...Mesmo que eu me esforce para lembrar de algo, as imagens aparecem meio deturpadas na minha memória, mas um cheiro...ai, esse me leva mesmo à algum lugar do passado, com uma nitidez muito precisa.
Hoje estava passando em frente de uma casa que vende frango de churrasco, ainda era cedo, portanto ainda não tinham acendido as brasas e , assim que passei senti um cheiro de carvão, carvão esse que já tinha sido utilizado e estava apagado. Na hora, no mesmo instante me vi dentro da casa da Irene.
Irene era uma senhora que trabalhava na chácara da minha avó, em Tietê, interior de São Paulo. Essa senhora vivia num casebre, em frente à chácara.
Eu era amiga de uma das suas filhas, a ¨Creide¨ ( Cleide), e por isso vivia lá em sua casa.
Acho que só tinha um cômodo, com para aí duas camas de casal, juntinhas, onde dormiam todos, a Irene, suas três filhas e dois filhos ( ela era viúva).
A casa tinha o cheiro exato de carvão apagado, uma vez que o fogão à lenha, da suposta cozinha, pois se não me falha a memória, a divisão era feita com cortina ao invés de paredes.
Havia muitos anos que não me lembrava deles, mas hoje, passando em frente da churrascaria a lembrança me fez visitar de novo aquela lugar. Me fez enxergar de novo coisas que eu já tinha visto, como se estivesse lá.
Lá, onde, na minha ingenuidade de criança, achava que era o lugar mais feliz do mundo, pois, poderem dormir assim, todos juntos, para mim era um sonho... mesmo tendo eu a consciência da carência que lá havia.
Eu gostava muito deles, da Irene, da Cleide, do Marquinhos, do Ney. As outras duas irmãs eu não me lembro muito bem, mas acho que eram duas ( Célia e Lúcia?)...
Tive uma infância tão feliz naquela chácara, tenho lembranças tão fortes e tão boas daqueles tempos...
Mas os cheiros para mim são mesmo um incrível meio de transporte para algum lugar no passado, longínquo ou atual, mas para algo que já senti e ficou fortemente marcado no meu subconsciente.
Incrível isso, né?

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