quarta-feira, 27 de março de 2013

Guardar ou não guardar, eis a questão!

Uma característica que eu vejo muito no portugueses, de uma maneira geral, é guardar coisas.
Bem, deixa-me ser honesta e não generalizar, refazendo a frase:  Muitos dos portugueses que EU conheço e com os quais EU convivo, tem uma grande paciência para guardar coisas. Armazenar. Muitos ( desses que eu conheço) tem livros ¨ de quando eram pequenos¨, cadernos e alguns brinquedos...
Eu nunca guardei quase nada.Não me lembro de um único caderno de infância, nenhum desenho, bem nesse caso foi minha mãe que não guardou, e não fico triste com isso.
Não consigo dar valor a lembranças, coisinhas... Lembranças para mim podem ficar só na memória, numa foto... Não preciso e sobretudo não quero ¨coisas¨ que não tem utilidade.
Semana passada decidi que precisava realmente de uma prateleira no quarto de brinquedos/quarto de visitas/ futuro escritório de mon mari. É que nesse atual quarto de brinquedos tem ( tinha) um roupeiro, para quando alguém viesse visitar pudesse colocar as suas roupas.
Bem, eu sempre tentei com muita força não colocar quase nada dentro desse roupeiro pois, se precisasse dele no momento de receber alguém estaria entulhadinho.
Mas a verdade é essa, mesmo a minha mãe, que é a única pessoa que fica aqui mais de 1 semana, consegue manter suas roupas na mala, sendo assim, manter o roupeiro semi-vazio 350 dias do ano para ser utilizado, vá, uns 14 dias não fazia sentido.
Assim, estou em remodelações.
Voltando à vaca fria, pois afinal, era sobre ¨guardar coisas¨ que era a conversa desse post.
Eu ontem fui colocar o tal roupeiro numa arrecdação do prédio. Depois que deixei o dito, ali em um canto, desmontadinho para ¨se um dia for necessário¨ , pensei comigo mesma:  ¨ Tanta gente poderia dar bom uso a isso... vou deixar aqui a embolorar, a estragar?¨
Já falei com a Santasogra e ela conhece um senhor que vem com um caminhão buscar coisas... E eu disse rapidamente que ele poderia levar o roupeiro, afinal, com o IKEA aqui perto e com uma economia, compra-se outro QUANDO e SE for necessário e esse roupeiro vai semi-novo e ainda bonitinho dar jeito na casa de outra pessoa.
Não quero guardar nada. Quero só aquilo que cabe aqui em casa. Nada de arrecadações, nada de coisas embrulhadas que a gente até se esquece que tem.
Não há dúvidas que aquilo que não usamos pode servir lindamente para outras pessoas. Para que esperar para se livrar delas, não é?
E olha, quanto mais me desfaço das coisas, mais vejo que elas não eram necessárias. Quando mais eu dou, mais eu ganho, seja em espaço, em gratidão, em ficar feliz com a alegria do outro, enfim só faz bem!

2 comentários:

  1. Gostei de te ler. Eu sou das que guardo, guardo, porque tem esta ou aquela recordação e nisso sou muito sentimental. A minha colchinha bordada à mão pela mamã, usei-a no nascimento do último filho e não era capaz de me desfazer dela. No entanto tanta coisa, tanta recordação e tanta gente que necessita. Sim, eu sou daquelas que tem uns arrumos do tamanho do meu coração e sempre que alguém precisa, selecciono cada objecto, cada peça com o mesmo carinho com que os comprei. Sim eu já dei muita coisa que tinha pensado guardar e na certeza porém que vou continuar a dar, porque o coração fala mais alto e o meu coração fica apertadinho quando encontro famílias desesperadas que vivem com tão pouco. É por estas e por outras que vou continuar a libertar os meus arrumos e encher o meu coração de alegria, por poder contribuir para a felicidade de alguém.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que bom que gostou do meu blog também.
      Sabe Vivi, como desde que sai do Brasil já morei nos EUA, em Espanha e agora aqui tive que habituar a ¨livrar-me¨ de coisas, pois era impossível carregar tudo comigo. Talvez isso tenha ajudado a aprender desapegar...Beijos!

      Eliminar