quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Exercício de confiança...

Como já virou rotina, depois do jantar, lá pelas 21:30, a Pipa pede o I-pad para o pai e vai para a cama explorar os desenhos animados, jogos etc...
Bem, mas temos que sempre estar atentos, pois muitas vezes ela encontra ¨coisas¨ que não são próprias, e sem discernimento, acaba por assistir...
Assim, de quando em quando vou ao quarto e verifico o que ela está a vendo.
Ontem, entrei no quarto e ela deu um pulo, e tentou tirar aquilo que estava assistindo rapidamente.
Eu corri e vi que era um desenho do Mr. Bean, nada demais, mas ela lá entendeu que não era apropriado e tentou esconder de mim.
Eu conversei bastante com ela sobre mentir, esconder as coisas dos pais, expliquei que podia confiar na gente sempre, em qualquer situação, que ela não deve ter segredos com outras pessoas, que nós temos que saber sempre de tudo.
Voltei para sala, e em conversa com o J. ele disse-me que só aos 16 anos mais ou menos, é que percebeu que não tinha que ser a criança mais obediente do mundo, até então, tudo  o que seus pais lhe diziam era lei, contava tudo para eles e tinham uma relação muito forte. Só já na adolescência é que se deu conta que não precisava de tanta ligação e que tinha que ter o seu espaço.
Eu já não fui assim, já sentia que tinha que esconder coisas, já dizia mentiras, não contava tudo, enfim, não tinha à vontade , nem confiança para partilhar as coisas que me aconteciam.
Depois fiquei a pensar no quanto eu quero que meus filhos confiem na gente, no quanto eu quero ser amiga deles. É que essa história de que -¨os pais não são amigos¨ , eu acho uma desculpa fácil para falta de vontade e de paciência.
Acho que podemos ser amigos sim, brincar, conversar de tudo. Acho importante que eles confiem no nosso amor, mesmo sabendo que nem sempre possamos ser justos.  Mas que saibam, que quando tiverem um problema, é para nós que eles devem contar em primeiro lugar, quero que sintam que nós estamos aqui para os apoiar e ajudar, não só para culpar e reponsabilizar, mas também para confortar.
Mas enquanto tinha essa conversa com o J. ouvimos o seu despertador a tocar, percebemos logo que a Pipa estava mexendo nele, e não conseguia desligá-lo. Ficamos na sala, esperando a reação dela. Conseguimos perceber o som abafado pela almofada, ela tentando esconder o crime. Depois de um minuto, ela aparece na sala, chorando, com cara de pânico, e com o despertador a tocar na mão, e olha para o pai com medo e diz: ¨ não consigo desligar isso¨ ...
Claro que deu vontade de rir, mas eu abracei bem forte, e disse que não era para mexer mais naquilo, que não era o fim do mundo, e que  não precisava chorar... Enfim, criar essa confiança e bem-estar não é fácil!

Sem comentários:

Enviar um comentário