Fui à uma consulta com o Gui, aquilo demorou muito para ser atendido e na sala de espera havia outras mães, uma que inclusive estava lá antes de nós chegarmos.
Depois de mais de meia hora a espera, o Gui se sentiu mal e vomitou. Rapidamente todas as mães que lá estavam ajudaram e ficou tudo bem.
Uma das mães começa a dizer que eu deveria pedir para ser atendida prontamente, pois meu filho tinha passado mal. E todos ali concordaram. Eu estava atarantada, limpando meu filho
Eu, que conheço meu bichinho, sabia que aquele vômito era por conta de almoçar rápido e entrar no carro. Ele estava ótimo.
Mas uma das mães que achava que eu tinha ¨o direito¨ de passar a frente, era aquela que tinha chegado antes de mim, e, quando percebeu que o médico que eu iria era o mesmo dela, ficou quietinha e assim que lhe chamaram, correu com seu filho, nem se lembrando que tinha acabado de protestar sobre os meus direitos. Afinal eu tinha ¨o direito¨, mas desde que não afetasse o seu.
Juro, estava tudo bem, eu não aceitaria passar na sua frente caso ela oferecesse, mas achei engraçada a situação. As pessoas são muito solidárias na teoria, mas quando percebem que vão ter que também fazer algum esforço a solidariedade evapora.
Lembrei-me de quando eu era chefe num café e , era só alguém ter uma dor de cabeça que vinham os colegas em sua defesa, dizer que tal pessoa se sentia mal, que eu deveria dispensá-la, daí eu perguntava se a pessoa, que estava com tanta pena, poderia ficar mais meia hora, ajudar em algo... A peninha passava num segundo!
Gosto muito de quem defende o direito dos trabalhadores, mas não emprega ninguém, não faz contrato com a faxineira, se puder sonegar imposto, sonega... A teoria é tão bonita, depois na prática revela o verdadeiro espírito da partilha: Acredito nos seus direitos, faço discursos inflamados para defendê-los, mas não conte comigo para colocá-los na prática, pois agora é a minha vez!
Só rindo!
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