terça-feira, 29 de maio de 2012

Quando a gente se sente amado...

Acho que das minhas recordações da vida, principalmente de infância, eu consigo sentir ainda hoje o amor dos meus avós...
Foram todos espetaculares e especiais, mas hoje deu-me para pensar na Vó Lazinha e no Vô Silas.Pessoas extraordinárias e a quem eu devo muito, muuito. Pessoas que me transmitiram um amor tão grande, simplesmente porque realmente o sentiam, questão fundamental, mas também porque estava neles o carinho pelos netos.
Eles foram sempre, nos mais ínfimos detalhes, tão fofinhos, meigos e ternos com a gente. É que quando se ama mesmo é tão natural , é tão espontâneo demonstrar isso.
Uma criança consegue distinguir só no olhar quando ela é desejada e amada, mesmo levando uma bronca ... coisa que eu nem me lembro de levar deles, uma vez que lá na chácara tudo era permitido, como por exemplo, nadar logo após o almoço, sermos nós a colocar o açúcar na limonada ( desnecessário dizer que ficava intragável), fazer teatros e atirar suspiros uns nos outros... enfim...
Minha avó tinha uma distração que hoje percebo que era opcional, fazia-se de  desentendida para não ter que se zangar. Essa distração devia ser como um escudo que fazia com que ela flutuasse nos problemas, assim calmamente. Parecia aquelas pessoas que nunca saem do sério e que relevam até o infinito.
Lembro exatamente o dia que meu avô morreu,  nós fomos para São Paulo e quando vi a Vó Lazinha, ela estava sentada na mesa de jantar, cercada de muita gente, sem chorar com aquela carinha calma que sempre tinha, esticou aquelas mãozinhas de pianista e me disse, como quem nos consola: ¨olha ele morreu em paz, deixou de sofrer, está tudo bem¨. Tadinha, aguentou tanto da vida, e nunca perdeu a fé.
Depois foi ficando doente, e sofreu muito mais do que merecia, até ir ter com o Vô Silas, lá onde eles estão.
Já meu avô era minha avó ao avesso. A tal da calma? Ele não a conhecia, não tinha com e para nada. Era extremamente ativo, opinioso, como ele mesmo diria ¨pernóstico¨...
O Vô Silas não parava, estava sempre inventado alguma coisa para fazer, era super agitado, se calhar fui buscar nele muitas das minhas características!
Uma vez um tio meu, filho do Vô Silas brincou que ele não era simplesmente uma companhia, ele era um excesso de companhia... claro que disse a brincar, ele era um amor de pessoa, pelo menos para mim... E me chamava sempre de ¨Maria Augênia¨ ( só para me irritar)... foi um avô de sonho e me deu amor infinito.
Sou tão agradecida à vida por ter nascido neta deles, que pena que a gente só perceba muita coisa depois de adulto e agora já não dá para retribuir da mesma maneira tudo isso. Se calhar a vida é mesmo assim, vou dar amor infito aos meus filhos e netos ( gostava de durar até lá), e eles farão o mesmo pelos seus filhos e netos,  e os seus filhos e netos farão o mesmo pelos seus filhos e netos....e assim até o infinito.
A gente se eterniza no amor que passamos para nossa descendência, espero conseguir a excelência desses lindinhos:


Vó Lazinha e Vô Silas

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