quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O que nos separa...

Aqui em Portugal, no final do ano, a Samsung fez alguns vídeos com alguns bloggers ( pessoas que escrevem blog),  onde falavam sobre as suas conquistas do ano de 2012, sobre seus projetos, sonhos e objetivos para 2013.
Bem, num desses vídeos, uma blogger, com ar muito ¨ tia¨ (  o termo ¨tia¨ aqui é usado para um tipo de pessoa que utiliza, natural ou forçosamente, uma maneira de falar, um trejeito que faz pertencer, ou parecer pertencer a uma classe social elevada) diz entre muitas outras coisas, que um dos grandes projetos para 2013 é comprar um bolsa ¨ Chanel¨ , e acho que a dita bolsa custa por volta de uns 3000 euros.

A maneira um tanto caricata, afetada, com que ela fala foi motivo de muita gozação, mas houve uma grande revolta e indignação nas pessoas por causa do sonho da menina- uma bolsa tão cara numa hora em que o país atravessa essa grande dificuldade e blá, blá, blá... Resultado : a campanha foi cancelada, mas como sabemos, uma vez na net sempre na net, o vídeo ainda está por aí.

Minha opinião?  sou completamente indiferente o dinheiro é dela, o sonho é dela, quero lá eu saber!

Mas, como brasileira que sou, e pensando nessa revolta, comecei a comparar a forma de pensar de muita gente daqui de Portugal, com a maneira de pensar de muita gente no Brasil ( e quando digo muita gente, não digo todos!)

Aqui, por causa do sonho de uma bolsa, admitido em rede social, houve uma chuva de críticas. Já no  Brasil, ter ou sonhar com algo equivalente dá um certo ¨status¨ , denota bom gosto, poder, ¨ ser chique¨ .

O que quero comentar aqui nesse post é sobre a grande diferença na maneira de pensar e agir nos dois países... Acho que mesmo antes da crise, falar e demonstrar muito dinheiro aqui em Portugal ficava sempre um pouco mal, desconfortável e deselegante. As pessoas realmente endinheiradas não falam em dinheiro, claro que se nota na maneira de agir, mas não são ostensivas, parece que educação e elegância contam mais. E acho que no Brasil é o oposto, as pessoas falam muito daquilo que tem ( e muitas vezes não tem), de coisas caras, sem o menor pudor. Falam de cifras perto de outras pessoas que nem sonham em ter essas quantidade mesmo economizando toda uma vida... E ninguém se revolta, nem mesmo as pessoas que nada tem e que poderiam eventualmente se indignar, acho que em muitos dos casos, eles olham para os ricos com uma super admiração.

Estou a falar mal de nós, brasileiros? Sim e não. Sim- no sentido das prioridades, da necessidade de mostrar e valorizar o dinheiro, mesmo nem percebendo que muitas vezes as atitudes ficam um tanto ridículas ( chupetas com cristal swarovski, meu ódio pessoal). E não- porque acho que é essa loucura desenfreada do consumo que  faz mexer a economia, faz o dinheiro circular e o Brasil crescer.

Acho que ¨ no meio é que se encontra a virtude¨ , acho uma babaquice as pessoas se melidrarem com o que os outros tem ou sonham ter, acho que cada um é livre para sonhar e ter o que quiser ( desde que seja com seu dinheirinho...), mas acho que valorizar as pessoas somente por aquilo que elas possuem é outra babaquice.

É incrível a diferença de comportamentos nesses dois países... mas ainda assim nos acho tão parecidos... tão curioso... tantas coisas que nos unem e nos separam... Adoro os dois países, se calhar nos complementamos. Saudades do Brasil.



4 comentários:

  1. Oceano que nos separa, distância que nos separa PRIMEIRO MUNDO/TERCEIRO MUNDO.
    Beijos

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    1. Honestamente não sei se é coisa de terceiro, primeiro mundo, mas acho que ambos pecam terem posições extremas nesse caso- O brasileiro no exagero da futilidade, e o português naquela coisa de sofrimento, de ser pecado sonhar, comprar...
      Beijinhos...

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  2. Brasileiro adora mostrar mostrar e mostrar, vejo quando eles vem pra ca, no paraiso das compras, ao inves de passear, comer num bom restaurante, eles preferem passar o dia nesses outlets comprando compulsivamente aquelas coisas de marca. Uma perda de tempo que so.... mas cada um cada um ne?

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    1. Sei lá, é uuma vontade embutida de adquirir para depois mostrar, né?
      É que ir a um bom restaurante, fazer um passeio gostoso não dá para ¨mostrar¨depois... bem, até dá, como aquelas pessoas que viajam e passam o tempo a mandar fotos do lugar onde estão...
      Please get a life... and live it!

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