quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nosso Romeu...

Nessa semana nasceu meu mais novo sobrinho, está fisicamente longe de mim, e acompanhei cada momento através das novas tecnologias. Ele é lindo, e estamos todos apaixonados.
É sempre uma alegria ver  nascer mais uma esperança de vida, mais um pote, prontinho para ser inundado de todo o amor da família!
E cada vez que alguém nasce é inevitável que me venha à memória o poema de João Cabral de Melo Neto, "Morte e Vida Severina".
Embora as circunstâncias do nascimento do meu sobrinho sejam muito diferentes da criança da história é no momento do nascimento, na alegria que gera a chegada, nesse pequeno instante, nesse milagre, nesse momento único, da saída do corpo mãe para o mundo, que encontramos alguma coincidência, algum ponto em comum...
Essa última parte do poema ( spoiler!!!) é das coisas mais linda que eu já li, por isso partilho:

E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina.
Fonte: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/morte_e_vida_severina
"E não há melhor resposta 
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar o seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotá-la como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo como quando é uma 
explosão como a pouco, franzina,
mesmo quando é a explosão 
de uma vida severina"

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Crónicas do mal de amor

Mais uma vez, a Elena Ferrante deixando-me sobressaltada!
Já falei da tetralogia aqui e aqui.
E ontem terminei mais um livro, na verdade três contos.
O Primeiro "Um Estranho Amor", não conseguir terminar, acompanhar, digerir, muito frenético, muito confuso (obviamente para mim), muito estranho, não consegui... talvez em outro momento da minha vida...
O Segundo "Dias de Abandono", maravilhoso. Acho que a autora tem uma capacidade de encontrar títulos, que, depois do livro lido, faz um sentido enorme! É isso, uma imersão profunda num corte, numa dor, é cair num poço e depois submergir.É entrar num "Trem Fantasma" e depois sair.Foi entender que há coisas que tem de ser vividas a seco, engolidas, arrebenta, depois cicatriza. Maravilhoso.
Ontem, terminei o Terceiro e último conto, " A Filha Obscura" e estou a dar voltas e voltas na minha cabeça, tentando entender o fim. A leitura foi maravilhosa, adorei, fiquei colada, mas o fim deixou-me baralhada.
Li aqui e ali, sobre a verdade, a crueldade com que a autora fala sobre a maternidade... sobre nos perdermos nisso de ser mães...
Pois eu acho que se calhar sou pouco profunda, ou resignada, não sei.
A maternidade é dura, é dedicação, mas depois que tive meus filhos, sempre lutei para, dentro de um certo limite, manter minha identidade e os meus desejos, mas sempre soube que a Maria Eugênia de antes deixaria de existir, ou melhor, se transformou. Mesmo porque não os sinto como outras pessoas, mas sim, extensões de mim, não por eles, por mim. Dedicar-me a eles é dedicar-me a mim... toda a minha existência está conectada na deles, como se eles fossem um órgão vital do meu corpo, não há um começo e um fim, é um circuito, depois de tê-los passou a ser assim, a felicidade deles é a minha, assim como a dor, o medo, a angustia, a realização. E não que eu seja uma mãe dedicada, eu só estou mesmo a cuidar de mim, da minha pessoa instalada naquelas pessoas... naquelas duas gentes, que também sou eu, por isso a maternidade, depois de concretizada, nunca foi escolha, depois de existirem ficou assim, uma inevitabilidade.Da qual eu reclamo muito, mas adoro...

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Thanks. But No Thanks

Hoje vi no bendito facebook uma senhora a reclamar que não consegue contratar uma empregada doméstica.
Segundo essa senhora, depois de "perder o seu tempo" a entrevistá-la, a candidata refutou a oportunidade de trabalho.
A contratante não compreende como é possível que com uma oportunidade de ganhar acima da média ( segundo ela, o salário seria "suberbo"- soberbo) e todas as condições de trabalho magníficas... Daí ela conclui: "essa gente" não quer é trabalhar.
Eu acho no mínimo estranho que não passe pela cabeça da senhora que talvez, talvez, aquilo que ela propõe não seja adequado a pessoa que está a procura de emprego... Se calhar aquilo que ela acha que é ótimo, para a outra pessoa não seja, talvez não seja nem razoável, e isso não faça dela automaticamente "uma gente que não quer trabalhar".

Talvez a pessoa que procura emprego também possa ser uma grande de uma exigente, ou talvez, alguém que vá a entrevistas por ir, mas que não tenha vontade de trabalhar...
Há muitas hipóteses, mas o meu ponto aqui é o seguinte, eu acredito que o negócio só é bom, se for para as duas partes, se as pessoas estão em sintonia...
Essa mania que as pessoas que empregam tem de achar que estão a fazer uma grande caridade em contratar e que a pessoa que precisa do emprego "só tem que aceitar" é no mínimo antiquada e pouco eficiente.
Acho bom que ainda haja certos trabalhos com fartura, em que a pessoa possa escolher, possa aceitar ou não uma vaga, em consciência, e não por desespero de causa.
E como em todas as relações, as pessoas se adaptam!
Sendo também bastante preconceituosa na minha afirmação, sem conhecer a pessoa que quer contratar, apenas ao ler o texto dela, se fosse eu a ser entrevistada, e se eu tivesse opção, também agradeceria, mas recusaria a proposta ( assim, a partida).

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Eu e as festas de anos dos meus filhos...

No Brasil, a comemoração das festas de aniversário, são, na grande maioria das vezes, uma grande comemoração, claro que cada um com aquilo que pode, mas nota-se sempre uma grande esforço para fazer o máximo possível.
Eu, embora cada ano prometa a mim mesma : "essa será a última festa", nunca cumpro. Sempre acabo por fazer festinhas para os meus filhos, que se pensasse bem, se tivesse amor ao dinheiro, não faria...
São festas simples, mas na proporção daquilo que eu ganho são gigantes... Enfim, estão pagas e resolvidas, mas pronto, "mais vale um gosto do que dinheiro no bolso", e os ditos populares são muito válidos, principalmente quando queremos nos justificar para nós mesmos!
Para comemorar os 11 anos da Pipa, fiz uma festa com o tema "disco"!
Fizemos num café/restaurante que tem um espaço ideal para o efeito, o Pessa Café, e contratei o trabalho da DiskFun, para colocar as luzes e o som! Tanto o trabalho do Pessa, como o do Diskfun, foi impecável.
Como a festinha decorreu no fim da tarde, houve ainda no final, lugar para um hambúrguer! Correu lindamente!




 Nos anos do Gui decidi fazer no Pavilhão do Conhecimento, e mais uma vez, só tenho a agradecer a organização.
Impecável! Correu lindamente!
Optei pela festa noturna, em que a festa decorre depois de acabar as actividades no pavilhão, e ficamos apenas nós (pais), monitores e crianças!
Foi uma diversão!
Eu fiz a comida, cachorro quente e batatas, levei pronto, numa malinha, que foi feita na Dikas Brindes e o bolo foi feito pela Gislene Borborema:

Os monitores do Pavilhão foram impecáveis, cuidadosos! A festinha decorreu muito bem e acho que todos aproveitaram...


E pronto! Esse anos acabaram-se as festinhas... Foi bom, correu bem, termino mais pobre de dinheiro, mas mais rica em recordações, em troca de carinho e em coração cheio, por celebrar mais um ano dos meus filhos!
Para o ano, hei de simplificar!!!
Logo conto!




quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Guilherme, meu menino amado!

E pronto, mais uma vez repito a ladainha:
Passou a voar!
Onde foram parar esses oito anos que eu nem vi passar?
Nem acredito que voou dessa forma!
etc... etc...
A verdade é que, como 99% das mães, sinto uma grande emoção em ver meu filho crescer, errar, acertar, calibrar-se para se posicionar nesse mundo.
Cada dia uma novidade, cada dia uma mudança, uma aprendizagem! Que privilégio ser mão desse menino maluquinho, que já tem um bom coração e que continuará a se desenvolver nesse sentido!
Que privilégio ser a tua mãe, Guigo, meu fofinho, meu amor!
Que venham muitos, muitos mais, e que eu possa ser e estar por você até o fim da minha vida!

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Elogie, elogie e elogie!

Muito sinceramente, das coisas que mais gosto de fazer é poder elogiar alguém, ou alguma coisa.
Me dá prazer, mesmo real.
Comprar algo e poder dizer que é bom, acaba sendo, para mim, uma dupla alegria, porque valeu a pena a compra e poder dizer bem e ver uma pessoa feliz.
Adoro dizer, assim, a quem nunca vi :" esse seu vestido é lindo!". Quer ver uma mulher sorrir é espetar-lhe com um elogio, assim, verdadeiro!
Para os homens que não conheço nunca digo nada, não vão pensar que é uma cantada... mas mordo a língua, porque gosto mesmo de elogiar.
Adoro poder chegar na escola e dizer bem do trabalho da professora, da minha gratidão por isso ou por aquilo.
Adoro descobrir uma nova loja, restaurante e contar para toda gente!
E é verdadeiro, me dá mesmo uma alegria genuína. Adoro poder dizer bem, fazer cartas de louvor.
Já fazer crítica, mesmo que sejam verdadeiras, me custa um bocado. Custa-me, fico triste, lá está, queria mesmo dizer bem.
Antes de criticar  penso se tenho mesmo a certeza, repenso...E tento falar com  muita, muita suavidade...Não gosto do confronto, detesto magoar, claro que com pessoas de confiança, também falo da vida dos outros, com alguma maldade, não estou dizer de todo que sou fofinha, mas fazer aquela crítica, mesmo dura, frontal, com o intuito de mudar alguma coisa, ou romper com algo,somente se for necessária, caso contrário, disfarço...
Mesmo porque nunca tenho 100% de certeza, e como elogiar não fere, arrisco, criticar, tem que ser bem pensado!
Mas quem é tímido nos elogios, tente, surpreenda alguém com um belo elogio... dá um prazer em ver a felicidade no outro!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Ser mãe e pessoa ao mesmo tempo!

Hoje, ao fazer um comentário num outro blogue, deu para pensar um bocadinho na minha relação com a maternidade...
Adoro ser mãe, e arrisco em dizer que apesar de toda a trabalheira, toda a dedicação, essa é a fase em que estou sendo mais feliz na minha vida até então.
Dizer que "nasci para ser mãe", talvez seja um grande exagero, ou talvez seja mais pura verdade... eu não sei, porque ao mesmo tempo que gosto muito, também me esforço muito para continuar a ter identidade, vontade própria e algum espaço.
Para mim é completamente nebuloso o limite em que eu diga: " chega, agora é a minha vez". Não consigo saber se quando digo isso eu já dei demais, ou estou sendo egoísta, entendem? Não é algo determinado, é completamente abstrato e passível de julgamento.
Certamente há pessoas que se olhassem a maneira como eu exerço a maternidade, julgariam entre "extremamente má"  e outras "extremamente boa" e outras qualquer coisa entre um extremo a outro... enfim, não há um padrão.
Portanto arrisco. E sei que nem sempre consigo ser muito coerente, vou levando, vou vivendo... Num esforço de eliminar qualquer tipo de culpa, sendo generosa na hora de me julgar, pois acredito que uma maneira de fazer meus filhos felizes, e seres humanos que saibam se desculpar, é mostrar que eu sou feliz também, apesar de também errar!